sábado, 28 de março de 2026

Para além do aparente: uma análise do uso instrumental das tecnologias digitais por meio do diagrama de Ishikawa

A experiência da Universidade Delta (PBL 4) evidencia um problema recorrente no ensino superior: o uso instrumental das tecnologias digitais. Embora haja investimento em plataformas, sistemas e recursos inovadores, sua incorporação tem ocorrido de forma superficial, limitada à reprodução de práticas tradicionais em ambientes virtuais.

Nesse contexto, tecnologias potencialmente interativas são reduzidas a meros repositórios de arquivos ou canais de transmissão de conteúdo. Tal cenário reforça o que George Siemens (2005) problematiza ao afirmar que, na era digital, o conhecimento não está apenas no indivíduo, mas distribuído em redes, dispositivos e sistemas. Quando ignorada essa dimensão, a tecnologia passa a operar apenas como suporte técnico, esvaziando seu potencial formativo. 

Essa forma de incorporação pode ser interpretada à luz do modelo SAMR, proposto por Puentedura (2010), evidenciando que as práticas permanecem em níveis iniciais de integração, caracterizados pela substituição de recursos tradicionais, sem promover transformações significativas nas atividades pedagógicas.

A partir dessa problematização, foi elaborado o diagrama de Ishikawa a seguir, que sintetiza as principais causas do uso instrumental das tecnologias digitais no contexto analisado:


A leitura do diagrama evidencia que o problema não pode ser atribuído a um único fator, mas resulta da articulação entre dimensões docentes, curriculares, tecnológicas, institucionais e relacionadas aos estudantes.

A superação do uso instrumental das tecnologias exige compreender que sua integração ao ensino não é meramente técnica. O modelo TPACK destaca a necessidade de articulação entre conhecimento do conteúdo, pedagógico e tecnológico. (Koehler; Mishra; Cain, 2013).

Na ausência dessa integração, observa-se a automatização de práticas tradicionais, como a simples disponibilização de materiais digitais. Nesse cenário, o docente não mobiliza o potencial pedagógico das tecnologias, afastando-se do papel de designer de experiências de aprendizagem.

O uso instrumental das tecnologias está diretamente relacionado à permanência de uma lógica transmissiva de ensino, na qual o conhecimento é fragmentado e entregue de forma linear. De acordo com Siemens (2005), aprender, na contemporaneidade, implica a capacidade de estabelecer conexões e identificar fontes de conhecimento relevantes. Assim, o foco desloca-se do acúmulo de informações para a construção de redes de aprendizagem.

No âmbito da cibercultura, Pierre Lévy (1999) argumenta que a interatividade envolve a possibilidade de intervenção ativa do sujeito sobre a informação. Quando os ambientes digitais são utilizados apenas para difusão de conteúdos, seu potencial é reduzido, impedindo o desenvolvimento da inteligência coletiva, baseada na colaboração e na construção compartilhada do conhecimento.

A análise evidencia que o principal desafio não está na presença das tecnologias, mas na forma como são apropriadas no contexto educacional. O uso instrumental das tecnologias digitais limita seu potencial transformador, reduzindo-as a ferramentas de reprodução de práticas tradicionais.

Referências:

KOEHLER, M. J.; MISHRA, P.; CAIN, W. What is Technological Pedagogical Content Knowledge (TPACK)? Journal of Education, 2013. Disponível em: https://www.matt-koehler.com/publications/Koehler_et_al_2013.pdf.

SIEMENS, G. Connectivism: A Learning Theory for the Digital Age. International Journal of Instructional Technology and Distance Learning, 2005. Disponível em: https://auspace.athabascau.ca/bitstream/handle/2149/2867/Connectivism%20-%20Connecting%20with%20George%20Siemens.pdf.

LÉVY, Pierre. Cibercultura. Tradução de Carlos Irineu da Costa. São Paulo: Editora 34, 1999. (Capítulos 4 e 6).

PIMENTEL, Fernando Silvio Cavalcante. Uma visão múltipla da interação em direção à tutoria. In: ______. Interação on-line: um desafio da tutoria. Maceió: Edufal, 2013. cap. 1, p. 23-49.

PIMENTEL, Mariano; CARVALHO, Felipe da Silva Ponte. Princípios da Educação Online: para sua aula não ficar massiva nem maçante! SBC Horizontes, 23 maio 2020. Disponível em: https://horizontes.sbc.org.br/index.php/2020/05/principios-educacao-online/.

LAURILLARD, D. Rethinking University Teaching: A Conversational Framework. Routledge, 2002. Disponível em: https://www.scribd.com/document/704783876/Conversational-Framework-of-Laurillard.

PUENTEDURA, R. SAMR: A Brief Introduction. 2010. Disponível em: https://www.scribd.com/document/891040863/Samr-Model-1.

DAKICH, Eva. Theoretical and Epistemological Foundations of Integrating Digital Technologies in Education. In: Reflections on the History of Computers in Education. Springer, 2014. Disponível em: https://link.springer.com/chapter/10.1007/978-3-642-55119-2_10.

VALENTE, José Armando. Mudanças na sociedade, mudanças na educação: o fazer e o compreender. In: O computador na sociedade do conhecimento. Campinas, SP: UNICAMP/NIED, 1999.

terça-feira, 24 de março de 2026

Aprender, questionar e conectar: vivências de uma boa aula!

Olá, queridos leitores do blog!

Hoje vou compartilhar um pouco dos aprendizados da aula do dia 23/03/2026 da disciplina Tecnologias Digitais no Ensino, ministrada pelo professor Fernando Pimentel.

Iniciamos a aula conversando sobre os podcasts que produzimos e sobre nossas percepções em relação a esse formato que utilizamos para sistematizar nossos aprendizados. Foi um momento bem interessante de troca.

Estou gostando muito de aprender novos conceitos e conhecer novos artefatos digitais, porque muitas vezes percebemos apenas o sentido mais simples das palavras, sem considerar um caminho mais epistemológico.

E o que eu aprendi na aula de ontem?

Antes de iniciar a aula, me perguntei: “O que quero aprender hoje?” e tem sido muito proveitoso partilhar essa experiência com meus colegas, especialmente nos grupos formados a partir do PBL.

Através das leituras da semana, compreendi que sempre vivemos em uma sociedade da informação, já que a informação sempre esteve presente na organização da sociedade. No entanto, o que percebemos hoje é que o nosso mundo está cada vez mais digital. Aprendi sobre o conceito de digitalização, que permite a transmissão e a cópia de arquivos sem perdas de informação, possibilitando um tratamento mais eficaz e complexo da informação.

Também aprendi sobre o conceito de aprendizagem ubíqua, que evidencia que o aprendizado acontece em diferentes espaços e momentos, não se limitando apenas à sala de aula.

O problema da semana, junto com as discussões em sala, me fez refletir que não devemos nos limitar a enxergar as tecnologias digitais apenas como ferramentas, mas compreender como a sociedade se relaciona com elas, como são utilizadas e como os seres humanos se organizam nesse contexto.

Também iniciamos a discussão de um novo PBL, com o tema “Fundamentos teóricos das Tecnologias Digitais”. Em grupo, formulamos algumas hipóteses, mas eu gosto sempre de me questionar: o que quero aprender com essa nova discussão? Algumas perguntas têm me acompanhado:
“O que de fato é a Educação 4.0?”
“Que perspectivas podem ser adotadas para a implementação de uma educação tecnológica e digital?”
“Quais pressupostos teóricos fundamentam essa concepção?”

Para responder essas e outras questões, vamos sintetizar as ideias por meio do Diagrama de Ishikawa. Eu já tinha ouvido falar sobre esse artefato, mas não sabia que ele também poderia ser utilizado nas pesquisas na área da educação e isso vai ser muito interessante!

Agora fica a curiosidade: qual será o próximo artefato que iremos utilizar?





domingo, 22 de março de 2026

Aprender em Rede: entre dados e decisões

Este episódio propõe uma reflexão sobre como a educação vem sendo reorganizada em uma sociedade cada vez mais orientada por dados. A partir das discussões apresentadas no podcast, fundamentadas em autores como Castells (1999), Jan van Dijk (2012) e Fernando Pimentel (2017), a imagem produzida busca representar essa realidade marcada pela integração entre sociedade e tecnologias, evidenciando a presença de redes, fluxos de informação e sistemas digitais no cotidiano educacional. Mais do que ilustrar um cenário de conexão, tanto o episódio quanto a imagem convidam a pensar criticamente sobre como essas transformações impactam as formas de ensinar, aprender e tomar decisões, destacando que não se trata apenas do uso de tecnologias, mas de mudanças mais amplas na maneira como a educação é compreendida e vivida.


Ouça o episódio no link: https://open.spotify.com/episode/6yKiXZWgB3jJC2b87oMhIj?si=ffcd13d070c94c6a

Referências:

CASTELLS, M. A revolução da tecnologia da informação. In:_______. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999.

CASTELLS, M. A economia informacional e a sociedade em rede. In:_______. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999.

CETIC.br; NIC.br. Inteligência artificial na educação: usos, oportunidades e riscos no cenário brasileiro. São Paulo: Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR, 2025. Disponível em: https:/ /cetic.br/media/docs/publicacoes/7/pt/20251124074142/estudos_setoriais-ia_na_educacao.pdf. 

PIMENTEL, F. S. C. Cultura digital e aprendizagem. In:______. A Aprendizagem das crianças na Cultura Digital. 2ª ed. rev e ampl. Maceió: Edufal, 2017.

PIMENTEL, F. S. C. Tecnologias digitais e práticas educativas. In:______. A Aprendizagem das crianças na Cultura Digital. 2ª ed. rev e ampl. Maceió: Edufal, 2017.

VAN DIJK, Jan. The Network Society. London: Sage Publications, 2012. Disponível em: https:/ /forschungsnetzwerk.ams.at/dam/jcr%3A8a671e75-c945-4784-a438-15a889cf24da/The_Network_Society-Jan_van_Dijk.pdf



terça-feira, 17 de março de 2026

Inovar não é só usar tecnologia: reflexões em sala de aula


No dia 16/03/2026 foi realizada a terceira aula da disciplina Tecnologias Digitais, uma aula muito proveitosa, em que desta vez demos continuidade à 3ª etapa do PBL sobre Inovação Educacional e Tecnologias Digitais.

Após a leitura e o aprofundamento, eu e meu grupo discutimos bastante sobre o tema, e isso me fez refletir sobre como, ao nos depararmos inicialmente com um problema, surgem muitos questionamentos. No entanto, à medida que nos aprofundamos, retornamos a ele com novas perspectivas, novos conceitos e um olhar mais crítico.

Nessa aula, e a partir dos meus estudos, compreendi que o conceito de inovação vai muito além da utilização de ferramentas digitais. Na educação, inovar significa promover transformações significativas nas práticas pedagógicas, nas relações de ensino e aprendizagem e nos modos de produzir conhecimento. Ou seja, retomando o vídeo “Tecnologia ou Metodologia? apresentado pelo professor, não adianta inserir ferramentas digitais na aula se a prática continua mecanizada e tradicional.

Também aprendi, com base nos autores estudados, que a definição do que é ou não inovação educacional passa pelos diferentes atores envolvidos: gestores, estudantes e docentes. Além disso, para que as tecnologias digitais contribuam efetivamente para a inovação, é necessário haver apoio institucional, práticas pedagógicas reflexivas e uma cultura de colaboração e mudança.

Em seguida, avançamos para a etapa 1 do Problema 3, que aborda a informatização da sociedade e os novos paradigmas sociais na educação. Alguns conceitos me inquietaram e despertaram o desejo de aprofundamento, como “informatização”, “digitalização”, “dataficação” e “plataformização”. Discutimos alguns desses termos em grupo e elaboramos perguntas sobre o que gostaríamos de compreender melhor. Espero retornar na próxima aula, após o aprofundamento teórico, com esses conceitos mais bem construídos e com possíveis respostas para o problema.

Um ponto importante que venho percebendo desde a primeira aula é o quanto tenho me desconstruído em relação a conceitos que, para mim, pareciam simples. Hoje, consigo enxergá-los a partir de uma perspectiva mais crítica e epistemológica. Esse processo tem me mostrado a importância de sermos sempre questionadores e curiosos diante de tudo o que lemos e ouvimos.

domingo, 15 de março de 2026

Does Using Technology Really Mean Innovating in Education?

Digital technologies are increasingly present in the educational context, especially in higher education. However, an important question deserves reflection: does using technology necessarily mean innovating in education?

Based on this concern, I share in this infographic some reflections on the role of digital technologies in educational innovation processes. The material discusses to what extent the incorporation of these technologies can be considered innovation, who participates in defining what is truly innovative in the university context, and which institutional, pedagogical, and cultural conditions are necessary for these changes to occur in a meaningful way.

More than presenting definitive answers, the infographic seeks to encourage a critical perspective on the use of technologies in education. After all, innovation is not only found in the tools used, but in the transformations they enable in pedagogical practices, educational relationships, and in the ways we learn and teach.

And what do you think about it? Does using technology really mean innovating?






References:

HARIYANTO; RAHAYU, Agus; SENEN, Samsul Hadi; WIBOWO, Lili Adi. Innovation Agility and Its Role in Advancing Educational Outcomes: Systematic Review of Future Research Directions. IJORER: International Journal of Recent Educational Research, v. 6, n. 6, 2025. DOI: https://doi.org/10.46245/ijorer.v6i6.1166. Disponível em: https://journal.ia-education.com/index.php/ijorer/article/download/1166/932. Acesso em: 14 mar. 2026.

IMBERNÓN, F. Formação docente e profissional: formar-se para a mudança e a incerteza. São Paulo: Cortez, 2011. 

KOBAYASHI, Maria do Carmo Monteiro. Quando inovar é a única saída: os processos de transformação na vida e na educação. In: CELESTE FILHO, Macioniro; KOBAYASHI, Maria do Carmo Monteiro (Org.). Inovação educacional e formação de professores: a experiência contemporânea dos municípios de Duartina e Ubirajara. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2020. Disponível em: https://www.fc.unesp.br/Home/ensino/pos-graduacao/programas/docenciaparaaeducacaobasica/ebook_inovacao-educacional.pdf. Acesso em: 14 mar. 2026.

PETTER, Ana Amélia; SOUZA, Douglas Grando de; ESPINOSA, Tobias; ARAUJO, Ives Solano. Innovation in education: a systematic analysis of literature reviews. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v. 30, e300017, 2025. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbedu/a/kv8VqTPwzb39t7mCJqPxgpL/?format=pdf&lang=en. Acesso em: 14 mar. 2026.

PIMENTEL, F. S. C. P. Jogos Digitais, inovação e ensino na Saúde. In.: PIMENTEL, F. S. C.; SILVA, A. P. (Orgs.). Tecnologias digitais e inovação em educação: abordagens, reflexões e experiências. São Carlos: Pedro & João Editores, 2023. p. 23-42. Disponível em: https://arquivos.pedroejoaoeditores.com.br/wp-content/uploads/2022/12/03170224/EBOOK_Tecnologias-digitais-e-inovacao-em-educacao.pdf Acesso em: 14 mar. 2026.






segunda-feira, 9 de março de 2026

Entre ideias em construção e novas provocações

Hoje compartilho aqui no blog um pouco do que vivi no dia 09/03/2026, que foi um dia cheio de reflexões.

Pela manhã estive no meu segundo dia de Estágio Docência na disciplina de Alfabetização e Letramento. Na aula discutimos o texto Linguagem, Cognição e Educação Infantil: Contribuições da Psicologia Cognitiva e das Neurociências de Renan de Almeida Sargiani e Maria Regina Maluf. Conversamos bastante sobre uma questão muito importante: como garantir um ambiente alfabetizador desde a Educação Infantil? Foi um momento muito rico de troca e reflexão com os estudantes.

Texto trabalhado no 2° dia de Estágio Docência

À tarde participei da segunda aula da disciplina Tecnologias Digitais no Ensino. Iniciamos ouvindo alguns colegas compartilharem suas experiências com as leituras da semana. Em seguida tivemos uma discussão interessante sobre a tecnologia ser vista ou não como ferramenta. O professor nos provocou a pensar que isso depende muito da forma como entendemos o ensino: se enxergamos o ensino apenas como transmissão de conteúdo, a tecnologia tende a ser vista como ferramenta. Mas, se compreendemos o ensino como colaboração e construção do conhecimento, ela passa a ser entendida como mediação.

Depois voltamos aos nossos grupos para discutir o problema da semana anterior. Foi interessante perceber como algumas ideias que surgiram inicialmente muitas vezes mais ligadas ao senso comum foram se transformando a partir das leituras e das discussões. Aos poucos as reflexões foram ficando mais amadurecidas.

Também percebi hoje que preciso me aventurar um pouco mais no inglês, para conseguir acessar pesquisas de outros contextos e ampliar as referências para minha pesquisa. É um desafio que quero tentar assumir para sair um pouco da minha zona de conforto.

Em outro momento da aula, o professor pediu que alguns grupos escrevessem palavras que representavam os aprendizados do problema anterior. O meu grupo ficou responsável por organizar essas ideias em um mapa conceitual. Confesso que foi um desafio, mas também uma experiência interessante.

Momento de realização do mapa conceitual em grupo

Logo depois iniciamos um novo problema intitulado “Inovação Educacional e Tecnologias Digitais”. Começamos a discutir algumas hipóteses e surgiram conceitos importantes como metodologias ativas, tecnologias digitais e inovação educacional. Isso me deixou com algumas perguntas para pensar melhor: o que realmente é inovação do ponto de vista teórico? O que faz uma prática ser considerada uma inovação educacional?

Os problemas têm sido desafiadores e têm me feito olhar para muitas coisas de uma maneira diferente. Tenho aprendido bastante com os colegas e sigo tentando ir sempre um pouco além do que foi inicialmente proposto.

Nosso momento de aprofundamento e discussão


sexta-feira, 6 de março de 2026

Organizando ideias: construindo um mapa conceitual


Neste mapa conceitual, a proposta foi relacionar alguns conceitos trabalhados na disciplina com o meu projeto de dissertação, que aborda o direito à alfabetização e a recomposição das aprendizagens. A ideia foi articular os referenciais teóricos estudados, especialmente as contribuições de Vygotsky, Álvaro Vieira Pinto e Pimentel, com os caminhos da pesquisa que estou desenvolvendo. Este é um primeiro exercício de organização das ideias, que ainda será aprofundado e aprimorado ao longo do desenvolvimento do projeto de pesquisa.

Entre expectativas e reflexões: a primeira aula


No dia 02/03/2026, após uma manhã muito proveitosa em meu primeiro dia de Estágio Docência na disciplina de Alfabetização e Letramento do curso de Pedagogia, fui à tarde para a minha primeira aula do Mestrado em Educação. Confesso que estava muito apreensiva, apesar de já conhecer o professor, mas o novo, na maioria das vezes, nos causa um pouco de ansiedade diante do que está por vir.

A aula iniciou com uma dinâmica de apresentação muito interessante, em que cada um se apresentava e, em seguida, escolhia outro colega. Estou em uma turma de doutorandos e mestrandos, alguns com muitas experiências, e eu estou continuando o caminho que construí na graduação. Espero aprender bastante com todos eles e também com o professor Fernando.

Após essa dinâmica, o professor fez outra em que nos separamos em grupos a partir de categorias que ele ia propondo, de modo que a gente circulasse e conhecesse todos da turma. Em seguida, o professor foi nos apresentando a disciplina e falou que iríamos trabalhar com a metodologia PBL. Fiquei muito curiosa, pois já tinha lido sobre, mas não sabia como era na prática, e ele disse que iríamos aprender justamente praticando.

De fato, nossa primeira atividade em grupo foi discutir um problema intitulado “O que é a tecnologia?”. Sentamos e debatemos bastante durante cerca de uma hora.

O que me surpreendeu desde o primeiro dia de aula é que essa disciplina está desconstruindo um olhar que eu tinha sobre a tecnologia. Às vezes estamos tão inertes, tão imersos, que não percebemos e apenas reproduzimos os mesmos pensamentos, entendendo a tecnologia apenas como ferramenta, como equipamento, entre outras coisas.

Algo que vou guardar para mim da aula do dia 02/03/2026 foi a frase que o professor disse antes de irmos embora: “Segunda vocês vão voltar com os mesmos grupos, mesmas perguntas, mas novas pessoas”. E aí me questionei internamente: novas pessoas?

Em seguida, ele falou uma frase muito conhecida: “Ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontram as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou”.

Isso me fez refletir e querer voltar para todas as aulas sendo uma “nova pessoa”. Quero sair da minha zona de conforto e, principalmente, aprender. Isso levarei para minha trajetória. Desse modo, inicio a minha jornada no mestrado desejando voltar a cada encontro como uma “nova pessoa”, aberta às reflexões, aos aprendizados e às transformações que esse caminho acadêmico pode proporcionar.

Primeiras páginas de um caminho no mestrado

Este blog nasce a partir de uma proposta de uma das disciplinas do Mestrado (Tecnologias Digitais no Ensino), na qual fomos convidados a criar um espaço para compartilhar nossas vivências, reflexões e aprendizagens ao longo das aulas.

Confesso que, no início, a ideia parecia apenas mais uma atividade acadêmica. No entanto, ao pensar melhor sobre a proposta, comecei a perceber que este espaço pode se tornar um lugar muito interessante para registrar experiências, organizar ideias e acompanhar o próprio processo de aprendizagem durante o mestrado.

Assim surge o Diário Aberto de uma Mestranda, um espaço onde pretendo compartilhar anotações das aulas, reflexões sobre as discussões realizadas na disciplina, impressões sobre as leituras e alguns pensamentos que surgirem ao longo dessa caminhada acadêmica.

Que este diário possa registrar não apenas conteúdos, mas também parte do percurso, das descobertas e dos desafios que fazem parte da formação no mestrado. 📚📚

Dispositivos digitais no ensino-aprendizagem: aprendendo a partir do PBL

Olá, queridos leitores do blog! Depois de uma semana afastada por conta de uma virose, estou de volta. Não foi um período fácil, mas fico f...