Olá, queridos leitores do blog! Espero que vocês estejam bem.
Hoje vou escrever um pouco sobre a minha trajetória na disciplina de Tecnologias Digitais no Ensino. Há algumas semanas, reli e avaliei minhas postagens mais antigas e me peguei refletindo: o que dizer desta disciplina?
Essa foi a disciplina que marcou o meu início no Mestrado. O professor? Ah, o professor eu já conhecia, mas precisei começar a construir um posicionamento diferente daquele que tinha durante a graduação. Em outras palavras, a disciplina me fez perceber que eu não estaria ali apenas para repetir ideias; agora eu precisaria problematizar, argumentar e construir meus próprios posicionamentos.
Quando iniciei a disciplina, tinha uma visão totalmente diferente acerca da tecnologia. Eu a percebia apenas como algo isolado, uma ferramenta. Hoje, nos diferentes espaços que ocupo, posso afirmar que essa visão reducionista foi reconstruída. A disciplina me possibilitou enxergar a tecnologia como parte de um contexto histórico, cultural e formativo. Ela mudou profundamente a minha forma de compreender tudo isso.
Ao olhar para o meu próprio percurso, percebo que a mestranda que iniciou a disciplina não é a mesma que a conclui. Essa reflexão me faz lembrar de uma fala que o professor compartilhou na primeira aula e que registrei em meu e-portfólio: “Ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois, quando nele se entra novamente, não se encontram as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou”. Posso dizer que, a cada aula, eu voltava sendo uma nova pessoa. Mesmo não falando muito, algo que venho buscando melhorar sempre procurei me expressar por meio da escrita.
Confesso que minha trajetória na disciplina não foi fácil. Entre tantas demandas, a adaptação à nova rotina e a grande quantidade de leituras, houve momentos desafiadores. Aos poucos, porém, fui vencendo essas dificuldades e tentando lembrar diariamente que agora eu era uma estudante de Mestrado e que o tempo não iria parar para que eu me adaptasse. No início foi realmente difícil, mas cada passo contribuiu para o meu crescimento.
Sobre a metodologia e a estrutura da disciplina, para mim foi um formato novo e que funcionou muito bem. De alguma forma, sempre que estudávamos um problema, as respostas surgiam a partir dos aprofundamentos teóricos e das discussões realizadas. Entre os PBLs desenvolvidos, o que mais me marcou foi o que abordou a ludicidade. Esse foi um conceito que ressignifiquei profundamente e que passou a ocupar um lugar diferente em minha trajetória como professora.
O e-portfólio também teve um papel fundamental nesse processo. Por meio dele, realizávamos retomadas constantes das nossas aprendizagens. Era como um diário, onde registrávamos impressões, reflexões, pensamentos e experiências. Foi através dele que consegui visualizar minha própria evolução, comparando as primeiras postagens com as mais recentes. O e-portfólio ampliou nossas possibilidades de aprendizagem e de reflexão sobre o percurso vivido.
O professor da disciplina, o famoso “Tio Fernando”, de uma universidade lá da Groenlândia (rsrsrs), foi essencial durante toda essa caminhada. O que mais me encantava era perceber que nenhuma aula começava da mesma forma. Sempre havia algo diferente para iniciar as discussões, o que tornava cada encontro único. Isso me fez compreender que não precisamos de muitos recursos para ensinar algo a alguém; precisamos, acima de tudo, de intencionalidade e isso é algo que o professor possui de sobra.Suas mediações durante as aulas eram extremamente importantes. Muitas vezes chegávamos com ideias mirabolantes e, com post-its, cartas de baralho ou até chocolates, ele conseguia transformar a aula em uma boa experiência. Fui sua aluna pela terceira vez, mas agora em um lugar diferente: como mestranda.
Se existe uma palavra que levarei para a minha vida profissional a partir dessa experiência, e que contribuirá para a construção da professora que desejo ser, essa palavra é: intencionalidade. Para mim, ela foi a grande chave da disciplina. Compreendi que é possível utilizar os melhores recursos e as tecnologias, mas nada disso faz sentido se não houver intencionalidade pedagógica. Quero ser uma professora que não precise de muito para ensinar, mas que consiga construir aulas intencionais, boas e que promovam aprendizagens compartilhadas entre meus alunos e eu.
Por fim, acredito que a disciplina não termina aqui. Ela continuará caminhando ao meu lado ao longo da minha trajetória acadêmica e profissional, presente nos meus pensamentos, nos aprendizados construídos e nas reflexões que ainda levarei para muitos outros contextos. Afinal, algumas disciplinas se encerram no calendário, mas permanecem conosco na forma como passamos a enxergar o mundo.






