domingo, 17 de maio de 2026

Framework colaborativo e design didático: reflexões sobre práticas mediadas por tecnologias

A construção colaborativa do framework visual sobre o Design de Atividades Mediadas por Tecnologias foi uma experiência que ampliou minha compreensão sobre o planejamento pedagógico com tecnologias digitais. Durante as leituras e discussões da atividade, voltei várias vezes ao problema apresentado pela professora Helena, principalmente ao desafio de pensar como construir uma atividade mediada por tecnologias que realmente tivesse intencionalidade pedagógica e não apenas utilizasse ferramentas digitais de maneira superficial.

Ao analisar o caso de Helena, percebi que muitas vezes a inserção das tecnologias no ensino acontece sem um planejamento articulado aos objetivos de aprendizagem. As leituras mostraram justamente que o uso pedagógico das tecnologias exige organização, reflexão e escolhas conscientes. Nesse sentido, o modelo TPACK mais uma vez contribuiu para compreender a importância da articulação entre conteúdo, pedagogia e tecnologia no desenvolvimento das práticas educativas (Koehler et al., 2013). Essa discussão me fez perceber que a escolha de um artefato digital precisa considerar o que se deseja ensinar, como os estudantes aprendem e quais experiências podem ser construídas a partir daquela tecnologia.

As discussões propostas por Lima e Viana (2018) também contribuíram para ampliar essa reflexão, principalmente ao evidenciarem que as tecnologias digitais, por si só, não transformam as práticas pedagógicas. Lima e Viana (2018) mostram que as mudanças no processo educativo dependem da forma como essas tecnologias são integradas ao planejamento didático, às metodologias utilizadas e às interações construídas durante as atividades. Essa perspectiva reforçou ainda mais a importância de pensar criticamente sobre a escolha e utilização das tecnologias digitais no contexto educacional.

Outro aspecto que me chamou atenção durante a atividade foi a discussão sobre interação, participação e contexto dos estudantes. As contribuições de Hayashi e Baranauskas (2013) ajudaram a compreender que as tecnologias digitais não devem ser pensadas apenas a partir de funcionalidades técnicas, mas também considerando os aspectos humanos, afetivos e sociais envolvidos no processo educativo. Isso me fez refletir sobre a importância de planejar atividades que favoreçam participação ativa, colaboração e envolvimento dos estudantes durante as experiências mediadas por tecnologias.

Além disso, as leituras também contribuíram para ampliar minha compreensão sobre a tecnologia como mediação da aprendizagem. A partir das discussões propostas por Posada (2015), percebi como os artefatos digitais podem favorecer criatividade, autoria, expressão e construção colaborativa do conhecimento quando integrados de forma coerente ao planejamento pedagógico. Durante a elaboração do framework, essa reflexão apareceu principalmente na organização dos critérios de escolha das tecnologias e nas perguntas norteadoras sobre acessibilidade, interação, objetivos pedagógicos e participação dos estudantes.

O próprio PBL também me fez refletir sobre a forma como estruturamos nossos planejamentos pedagógicos. A dinâmica realizada na última aula provocou uma reflexão muito importante: se outra pessoa ler o meu planejamento, ela conseguirá compreender claramente quais objetivos de aprendizagem desejo alcançar com meus estudantes? Essa questão me fez perceber que o design didático contribui justamente para organizar e tornar mais clara a estrutura da disciplina, articulando objetivos, estratégias, recursos, interações e formas de avaliação de maneira coerente e intencional.

Ao final da sistematização, compreendi que planejar atividades mediadas por tecnologias exige muito mais do que domínio técnico sobre artefatos digitais. Exige sensibilidade pedagógica, reflexão crítica e compreensão sobre como as tecnologias podem contribuir para a construção de experiências colaborativas, participativas e contextualizadas no processo de aprendizagem.

Acesse o nosso framework

Framework colaborativo realizado no Canva pelo grupo

Referências: 

HAYASHI, E. C. S.; BARANAUSKAS, M. C. C. “Affectibility” and Design Workshops: Taking actions towards more sensible design. Proceedings of the 12th Brazilian Symposium on Human Factors in Computing Systems. Porto Alegre, 2013. p. 3-12.

KOEHLER, M. J.; MISHRA, P.; CAIN, W. What is Technological Pedagogical Content Knowledge (TPACK)? Journal of Education, 2013.

LIMA, I. P.; VIANA, M. A. P. Prática docente com uso de Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação: possibilidades e limites. In: MERCADO, L. P. L.; VIANA, M. A. P.; PIMENTEL, F. S. C. (Org.). Estratégias Didáticas e as TIC: ressignificando as práticas na sala de aula. Maceió: Edufal, 2018.

POSADA, Julián Esteban Gutiérrez. Interfaces Tangíveis e o Design de Ambientes Educacionais para Co-construção de Narrativas. Tecnologias, Sociedade e Conhecimento, Campinas, v. 3, n. 1, p. 104-107, dez. 2015.

2 comentários:

  1. Olá Iris. Este PBL dialoga, em algum ponto, com sua pesquisa de mestrado? Você acha que este framework está funcional?

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    1. Olá professor, tudo bem?
      Acredito que o PBL do design didático dialoga bastante com minha pesquisa de mestrado, principalmente porque tenho interesse em investigar práticas de escrita na Educação Infantil. Durante a atividade, fiquei refletindo sobre como muitos professores da Educação Básica, especialmente na Educação Infantil, ainda não estruturam suas práticas a partir de um design didático mais intencional e organizado. Além disso, muitas vezes as tecnologias digitais ainda aparecem pouco nesses contextos, principalmente em escolas públicas, onde as crianças nem sempre possuem acesso frequente a esses recursos. Em relação ao framework que produzimos, acredito que conseguimos construir uma boa articulação teórica e organizar conceitos importantes discutidos nos textos. Entretanto, pensando na funcionalidade, percebi que ele ainda ficou mais compreensível para quem participou da construção. Talvez outro professor que tivesse contato apenas com o framework final não conseguisse compreender totalmente a lógica do que queríamos propor. Essa reflexão também foi importante para mim, porque me fez pensar que um design didático precisa comunicar com clareza os objetivos, as etapas e as intencionalidades pedagógicas da proposta.

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