sexta-feira, 3 de abril de 2026

Linha do Tempo - Tecnologias Digitais na Educação Brasileira: Percursos, Limites e Possibilidades

Dando continuidade às discussões da disciplina, iniciamos um novo PBL com foco nas Tecnologias Digitais no Ensino, especialmente em suas possibilidades e limites no contexto educacional. Esse novo momento tem me levado a refletir ainda mais sobre como as tecnologias vêm sendo incorporadas ao longo do tempo e, principalmente, sobre os desafios que ainda permanecem.

Como parte dessa atividade, construí uma linha do tempo argumentativa, na qual busquei organizar historicamente os principais marcos das tecnologias digitais no ensino no Brasil, destacando não apenas o que foi proposto em cada período, mas também os limites que se repetem ao longo dos anos. Esse exercício foi muito importante para perceber que, mesmo com a presença constante desses artefatos, muitas questões como a incorporação instrumental das tecnologias e a pouca articulação com a prática pedagógica continuam presentes.

A seguir, compartilho a linha do tempo produzida, que sintetiza essas reflexões e dialoga com as leituras realizadas ao longo da atividade: 

https://padlet.com/irissantos10/tecnologias-digitais-na-educa-o-brasileira-percursos-hist-ri-l2cpuustxcdh5bn4


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Veredito Final

Ao analisarmos a trajetória das tecnologias digitais no ensino, torna-se evidente que o principal problema não está na ausência de artefatos, mas sim na maneira como eles têm sido incorporados ao longo do tempo. Em diversos momentos, houve investimento em infraestrutura e ampliação do acesso, porém sem a devida articulação com a formação docente e com as práticas pedagógicas, o que acabou limitando o impacto dessas tecnologias na aprendizagem. Nesse sentido, é necessário que as políticas educacionais tenham uma perspectivaa para além da lógica da simples distribuição de equipamentos, pois, mais do que garantir o acesso, é também fundamental assegurar condições para que as tecnologias sejam incorporadas de maneira significativa, com continuidade, suporte institucional e integração ao contexto pedagógico. Caso contrário, tende-se à repetição de problemas já observados em experiências anteriores. 
No que se refere à formação docente, torna-se essencial superar abordagens centradas apenas na incorporação instrumental das Tecnologias Digitais. O professor precisa estar preparado para compreender o potencial pedagógico das tecnologias e utilizá-las de forma intencional no processo de ensino e aprendizagem. Tal posicionamento dialoga com Coll, Mauri e Onrubia (2010) ao enfatizar que não é a tecnologia em si que transforma a educação, mas a maneira como ela é integrada às práticas educativas. 
Em relação às práticas pedagógicas, é fundamental repensar o papel do estudante, deslocando-o de uma posição mais passiva para uma participação ativa na construção do conhecimento. Nessa perspectiva, a inclusão digital não pode ser compreendida apenas como acesso, mas como um processo que envolve apropriação crítica e aproveitamento significativo das tecnologias, conforme apontam Bonilla e Oliveira (2011).
Portanto, é fundamental compreender que não se trata apenas de incorporar ferramentas, mas de transformar a maneira de ensinar e aprender, promovendo práticas críticas, participativas e contextualizadas, que contribuam de fato para a aprendizagem dos estudantes.

Referências

COLL, C.; MAURI, T.; ONRUBIA, J. A incorporação das tecnologias da informação e da comunicação na educação: do projeto técnico-pedagógico às práticas de uso. In: COLL, C.; MONEREO, C. (Org.). Psicologia da Educação Virtual.Porto Alegre: Artmed, 2010. p. 66–93.  

VALENTE, J. A.; ALMEIDA, M. E. B. Tecnologias e educação: legado das experiências da pandemia COVID-19 para o futuro da escola. Panorama Setorial da Internet, São Paulo, ano 14, n. 2, jun. 2022. Disponível em: https://cetic.br/media/docs/publicacoes/6/20220725145804/psi-ano-14-n-2-tecnologias-digitais-tendencias-atuais-futuro-educacao.pdf.

BONILLA, M. H. S.; OLIVEIRA, P. C. S. Inclusão digital: ambiguidades em curso. In: BONILLA, Maria Helena Silveira; PRETTO, Nelson De Luca (org.). Inclusão digital: polêmica contemporânea. Salvador: EDUFBA, 2011. p. 15-36. Disponível em: https://static.scielo.org/scielobooks/qfgmr/pdf/bonilla-9788523212063.pdf.

EDUCAUSE. 2026 EDUCAUSE Students and Technology Report: steady amid change. Autores: Kristen Gay; Nicole Muscanell. [S. l.]: EDUCAUSE, 2026. Disponível em: https://www.educause.edu/.

PEDRÓ, F. Applications of Artificial Intelligence to higher education: possibilities, evidence, and challenges. IUL Research, [S. l.], v. 1, n. 1, p. 61–76, 2020. DOI: 10.57568/iulres.v1i1.43. Disponível em: https://iulresearch.iuline.it/index.php/IUL-RES/article/view/43

LIVINGSTONE, V.; STRICKER, J. K. The disappearance of an unclear question. [S. l.]: UNESCO, 2024. Disponível em: https://www.unesco.org/en/articles/disappearance-unclear-question


4 comentários:

  1. Seu veredito final é muito coerente ao defender que a transformação não está no recurso em si, mas na intencionalidade pedagógica e na forma como o estudante é colocado como sujeito ativo no processo.
    Diante disso, fico pensando: como você acredita que é possível, na prática, promover essa apropriação crítica das tecnologias pelos estudantes em contextos escolares que ainda enfrentam limitações estruturais e formativas?

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    1. Olá Diogo! Acredito que, mesmo em contextos com limitações estruturais, é possível promover a apropriação crítica das tecnologias a partir da intencionalidade pedagógica. Isso implica organizar práticas que favoreçam a participação ativa dos estudantes, estimulando não apenas o acesso, mas também a produção, a reflexão e o questionamento. Ainda que com recursos simples, o professor pode propor atividades que incentivem a autoria e a incorporação das tecnologias. Assim, mais do que a quantidade de recursos disponíveis, é a forma como eles são incorporados ao processo de ensino que possibilita práticas mais críticas e formativas.

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  2. Iris, ao analisar a recorrência histórica de limites como o uso instrumental das tecnologias e a frágil articulação com a prática pedagógica, em que medida a simples identificação desses padrões ao longo do tempo pode contribuir (ou não) para a transformação efetiva das práticas docentes, e o que ainda precisa ser tensionado para que essa consciência histórica se traduza em mudança pedagógica concreta?

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    1. Olá Professor! Acredito que identificar esses padrões é importante porque ajuda a gente a perceber que esses problemas já vêm se repetindo ao longo do tempo. Isso faz com que a gente pare de pensar que a solução está só em trazer novas tecnologias.
      Mas, ao mesmo tempo, só ter essa consciência não muda a prática automaticamente. Para isso acontecer, acredito que é preciso repensar principalmente a formação dos professores e a forma como o ensino ainda é organizado. Muitas vezes, as tecnologias acabam sendo incorporadas dentro de uma lógica mais tradicional, o que limita muito o que elas poderiam contribuir.
      Além disso, não basta só ter o acesso, é preciso que haja uma apropriação mais crítica das tecnologias. Por isso, mais do que reconhecer esses padrões, vejo que é fundamental questionar as práticas para que, de fato, a tecnologia faça diferença na aprendizagem.

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